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Cave Colinas de Pedra – espumantes em túnel de trem

Confesso que antes de conhecer, fiquei com receio que fosse um passeio demasiadamente turístico, mas ao longo da visita, pude passar por uma experiência linda, em vários sentidos. Aproveitando minhas férias, queria conhecer produtores de várias áreas, e um de meus escolhidos foi de espumantes. O que me levou a colocar a Cave Colinas de Pedra na minha lista de lugares a visitar foi um programa da Globo. Fiquei super curiosa com a tal da produtora de espumante que usava um túnel de trem abandonado.
O passeio começou em Curitiba, já com carro alugado, seguindo para Piraquara com a ajuda do aplicativo Wase. Preferi confiar nele, já que estava viajando sozinha.
Saí do hotel em Curitiba bem cedo, com medo de me perder, preferia ficar aguardando pelas redondezas a perder o horário, rs. Logo, conheci o seu Ari Portugal, o famoso, uma simpatia de pessoa. Era hora da passagem do trem de passageiros que faz o passeio de Curitiba a Morretes. Aprendi com ele o ritual de cumprimentar os passageiros, fiquei envergonhada no começo, mas depois vai vindo uma sensação gostosa, e faz entender porque o pessoal da Cave faz isso todos os dias.
Spoon.2015_1357As meninas da cozinha largam tudo na hora da passagem do trem, e com sorriso nos rostos também cumprimentam os passageiros. É contagiante!
Spoon.2015_1358Logo fui convidada para tomar um café, na cozinha, é claro, um dos meus lugares preferidos. Adoro acompanhar os preparativos, e bater papo ao som das panelas e sentindo os aromas da cozinha.
Spoon.2015_1359Do ladinho, o setor de lavagem das taças para os espumantes. Cuidado em cada detalhe.
Spoon.2015_1361Enquanto a equipe se preparava para o começo das atividades, aproveitei para conhecer um pouco as instalações. A edificação principal é a Estação Roça Nova, sim, das primeiras fotos acima de onde a equipe cumprimenta os passageiros dos trens. Abaixo a foto da edificação vista por quem sai do estacionamento. É onde fica também o restaurante e a loja de produtos da Cave.
Spoon.2015_1379Salão charmoso onde estão expostos alguns produtos para venda.
Spoon.2015_1376Salão térreo do restaurante.
Spoon.2015_1374Parte do salão do piso superior.
Spoon.2015_1367Ainda no piso superior, uma área de apoio do buffet, e ao fundo o bar.
Spoon.2015_1366Aqui, seu Ari apresentado todo orgulhoso o espumante premiado.
Spoon.2015_1363Um pouco acima do estacionamento, um vagão do trem de luxo, a Litorina. Fabricado em Philadelphia nos EUA na década de 60, foi restaurado, sendo equipado com bancos , sanitário, cozinha e cabine de comando. O projeto do Vagão Gourmet está quase concluído, o que proporcionará ao visitante a sensação de ter uma refeição em um vagão de luxo.
Spoon.2015_1386Cozinha do vagão de luxo.
Spoon.2015_1387Para a minha surpresa, fui encaixada no primeiro grupo, da Confraria de Baco de Paranaguá – PR. Não podia ser melhor para uma pessoa super interessada na parte técnica da produção de espumantes. O acesso para o famoso túnel é feito por uma trilha, proporcionando um certo suspense.
Spoon.2015_1403Escadaria e logo avistamos o túnel paralelo que é utilizado pelos trens de carga e passageiros.
Spoon.2015_1404Já na base, pudemos ver ambos os túneis. A história da transformação desst túnel utilizado por trens para a Cave é bem interessante. Seu Ari comprou o terreno que possui hoje em 999, com a intenção de criar um hotel fazenda, um terreno privilegiado, cercado pela linha férrea e a Represa Piraquara.
O túnel do lado direito funcionou de 1885 a 1969, mas foi desativado quando passou a ser incompatível com os novos trens mais pesados. Durante a fase de projeto do hotel fazenda foram adquiridos as ruínas da estação e o túnel.
Spoon.2015_1406Inicialmente, seu Ari não sabia o que seria feito com o túnel de aproximadamente meio quilômetro. Até que um dia, surgiu como um sonho, a idéia de viabilizar uma cave de maturação de espumantes. Ari começou a estudar sobre espumantes, e fez a medição da temperatura do túnel, depois de fechá-lo nas duas pontas. Constatou, depois de 2 anos, a variação de apenas 1°C durante o ano, com mínimo de 16°C no inverno e máxima de 17°C no verão, temperatura ideal para a maturação de espumantes. Uma série de fatores fez com que esse túnel tivesse estas condições, como a formação rochosa de granito, a água percolando a baixa temperatura, a declividade do túnel e o ar frio que chega da serra.
Abaixo, com a Confraria de Baco de Paranaguá, na entrada do túnel.
Spoon.2015_1390Aqui começamos a aventura pelo tão esperado túnel. A boca do túnel é maravilhosa, uma parede verde e água escorrendo, até parece um lugar mágico.
A região não é produtora de uvas para vinho, também não possui as condições ideais de produção, assim, Ari garimpou produtores, chegando à parceria com a Vinícola Geisse, localizado na região de Pinto Bandeira, distrito de Bento Gonçalves, conhecido como região dos Vinhos da Montanha.
O vinho vem do sul, e a finalização em espumante é feito na Cave Colinas de Pedra pelo método Champanoise.
Spoon.2015_1409A primeira parte do percurso é feito em um trenzinho, o que dá um clima interessante ao passeio, a transição entre o túnel do trem para o túnel dos espumantes. A escuridão e a umidade dão um ar de suspense.
Spoon.2015_1412Assim que o trenzinho para, nos deparamos com esta porta de cofre forte, só pode ter coisas muito preciosas dentro, foi o que pensei.
Spoon.2015_1413Esta é a sala de Dégorgement, com a estrutura em forma de tudo, homenageando os tubos de ônibus de Curitiba. Mais para frente explico como funciona esta sala.
Spoon.2015_1415Ari dando aula sobre espumantes. A capacidade atual de armazenamento é de 50.000 garrafas, podendo ser ampliada futuramente. São vários os projetos, é provável que em breve ele anuncie. Posso adiantar que são bem interessantes!
Spoon.2015_1425Berçário, onde o vinho ganha complexidade.
Spoon.2015_1420A Remuage é feito pelo próprio Ari, que consiste em girar a garrafa e dar um “soquinho” na hora de assentar a garrafa, fazendo com que a levedura caia progressivamente para a tampa.
Spoon.2015_1430Aqui a imagem da levedura se depositando nas garrafas do berçário.
Spoon.2015_1427E chega o momento do dégorgement, que consiste no processo de eliminar o depósito de levedura que o remuage concentrou no gargalo da garrafa. O bico da garrafa é congelado para a retirada das impurezas. Ainda nesta sala, é feita a adição do licor de expedição, dependendo do espumante, a colocação da rolha e gaiola e a rotulagem.
Spoon.2015_1417Aqui o seu Ari explicando a forma correta de servir o espumante. Primeiramente provamos o Nature, sem adição de açúcar, maravilhoso! Possui “cor amarelo-palha, com reflexos esverdeados. Perlage intenso, com bolhas pequenas e persistentes. Aromas de médio ataque, muito fresco, com leveduras, tostados, mel e frutas secas com damasco e amêndoas. Paladar encorpado, com acidez equilibrada, bastante seco.
VINHO BASE: Aproximadamente 80% Chardonnay e 20% Pinot Noir.
TEMPO MÍNIMO DE MATURAÇÃO EM CAVE: 24 meses.
GRADUAÇÃO ALCOÓLICA: 12% do volume.
Spoon.2015_1432Experimentamos também o Extra Brut, com teor de açúcar de 3 a 8 G/L. Confesso que prefiro infinitamente o Nature.Spoon.2015_1422Um brinde!
Spoon.2015_1421Depois do belo passeio rico em experiências, sabores e conhecimentos, a Mesa Gourmet!
Spoon.2015_1442Mais uma vez, percebe-se o carinho em cada detalhe.
Spoon.2015_1443Claro que eu tinha que experimentar tudo! Salada de melão com tomate e vinho do Porto, ceviche de manga, repolho com gergelim torrado, caprese molho pesto, e queijos.
Spoon.2015_1434Partindo para os quentes. Tudo em porções pequenas, permitindo experimentar um pouco de cada coisa, sem perder o charme. Polenta com ossobuco.
Spoon.2015_1436Batata gratinada com Brie.
Spoon.2015_1437Barreado.
Spoon.2015_1439Moqueca de camarão.
Spoon.2015_1441As sobremesas, um pouco doces para paladar oriental, mas muito saborosos. Bolo com abacaxi e suspiro.
Spoon.2015_1450Brigadeiro.
Spoon.2015_1451Doce de caramelo com castanhas.
Spoon.2015_1452Mousse de limão.
Spoon.2015_1453Inaugurado em 24 de janeiro de 2015, em oito meses de funcionamento, já recebeu 2.500 visitantes. O projeto é um sucesso, mesmo preparado para ter prejuízo no primeiro ano, não teve sequer um mês de prejuízo. Dá para entender porque.
Para quem gosta de vinhos e espumantes, é um passeio que recomendo. Passar o dia em um lugar absolutamente agradável, comendo e bebendo bem, e ainda por cima conhecer um trabalho feito com tanto amor, tem coisa melhor?
Spoon.2015_1433Agradecimentos a Rafaelle Portugal, filho de seu Ari, e toda a equipe pela calorosa recepção.
Spoon.2015_1458E um agradecimento especial ao seu Ari Portugal pelo carinho, pelos momentos de muitas risadas e aprendizados, e pelo exemplo de garra. É sempre inspirador conhecer pessoas que correm atrás de seus sonhos, que arriscam e ouvem a voz do coração.
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Cave Colinas de Pedra
Website: http://www.cavecolinasdepedra.com.br/
Endereço: Rua Antonio Brudeck, 100 – Bairro Roça Nova, Piraquara, PR.
Telefone: (41) 9667-5000.
Horário de funcionamento:
– De quarta a domingo das 10 as 17 horas.
– Sábados, domingos e feriados servimos Mesa Gourmet.
OBS1: Faça reserva!!!
OBS2: Para mais informações da Cave e a produção de espumantes, visite o site.

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